O Muro

2014

Sobre a instalação O Muro, por Renato Pera, julho de 2014

 

Não é por acaso que o tijolo de barro cozido é tão familiar ao paulistano. A sua generalização como principal material construtivo ocorreu em São Paulo há cerca de 150 anos, modificando radicalmente, em poucas décadas, a fisionomia da cidade. A alvenaria de tijolos substituiu os modos construtivos coloniais ligados à taipa – e ao trabalho escravo – e atendeu adequadamente à necessidade de expansão acelerada da malha urbana na reconfiguração do centro e na formação dos novos bairros periféricos, incluindo o Ipiranga, ao longo da linha ferroviária recém implantada. A difusão do tijolo liga-se intimamente à influência do imigrante estrangeiro, ao seu  conhecimento técnico e repertório formal. Foi extensamente aplicado a todos os tipos de edificações e criou tipologias com as quais convivemos ainda hoje, diariamente.

[Fired clay bricks are no strangers to the people who live in São Paulo. Its popular use as a construction material was stablished over 150 years ago, and in a few decades, it drastically changed the city’s landscape. Brickwork substituted the colonial times construction style of rammed earth – and slave labour – and met the needs of the rapid expansion of the urban network adequately, which meant the reshaping of the downtown area and forming new neighbourhoods in the outskirts of the city, such as Ipiranga, alongside with the then recently implemented railroad. The popularization of the fired clay brickwork is closely connected to the inmigrant’s influence, to the foreigner’s technical expertise and formal repertoire. It was exhaustively used in all kinds of buildings and it has created typologies which we still see every day nowadays.]

 

 

Parede coberta por tijolos cerâmicos personalizados, fabricados em olaria por processo manual.

 

52.5 m2

 

[The Wall, 2014, Wall covered with custom bricks fabricated in a brickyard by manual process]

 

Sesc Ipiranga, São Paulo, Brasil

 

Fotos / Photos: Filipe Berndt, Genésio Filho, Renato Pera.

 

1/12